Archive for April, 2007

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90 dias para o Pan 2007. Ou será que é para a Pane 2007?

April 13, 2007

PAN - 2007  Faltam exatos 90 dias para começar o maior espetáculo dos esportes das Américas, o Pan-Americano, competição que destaca desde esportes consagrados como futebol, vôlei, basquete, ginástica, até os menos conhecidos como esgrima, hóquei sobre grama, badminton, squash, entre outros. Todos os países da América mandarão representantes para buscar as tão esperadas medalhas que homenageiam os campeões. Até aqui tudo lindo, o glamour do esporte vence  qualquer barreira,  ultrapassa qualquer correnteza e pula de quaisquer alturas.

Mas… Todos sabem que o Pan 2007 – já popularmente conhecido como Pan do Brasil – pode ser que vire a pane 2007. Atletas se esforçam, brigam para conseguirem as vagas, e muitos aqui brigam… Brigam de verdade! Embargam as obras, deixam faltar às verbas necessárias, e mesmo assim sempre dizem que está tudo dentro do previsto, está como sempre foi planejado, e o que vemos são obras inacabadas, muita coisa ainda por fazer, e as pessoas não se conscientizam – e muito – de que se não houver daqui pra frente serenidade e objetividade nos atos, poderá ser o pior Pan de todos os tempos, virando, de fato, uma pane.

Logo o Brasil tão respeitado diante do mundo, como a futura sede de uma Copa do Mundo, candidato a sede das Olimpíadas de (dois mil e?), não vai se sobressair com uma simples estrutura de comportar o Pan? Ê Brasil! A nação espera que dê tudo certo, os amantes do esporte rezam todos os dias para que dia 13 de julho seja um show a parte, uma cerimônia de abertura que cale a boca de muita gente – inclusive a minha -, que o Brasil conquiste inúmeras medalhas, que realmente consiga levantar a bandeira de um povo que grita sempre: “Sou brasileiro, com muito orgulho e com muito amor!”.

Que as autoridades concluam com maestria um sonho de todos, que as pessoas sejam hospitaleiras com aqueles que chegarão para prestigiar o nosso PAN – sem muito apego, sem “pedir nada em troca” -, que torçamos muito por todos os esportes! Porque somos brasileiros e não desistimos nunca.

Que esse PAN, seja PAN mesmo, e não vire nem de longe, uma PANE!

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Critério

April 12, 2007

Os náufragos de um transatlântico, dentro de um barco salva-vidas perdido em alto mar, tinham comido as últimas bolachas e contemplavam a antropofagia como único meio de sobrevivência.

- Mulheres, primeiro – propôs um cavalheiro.

A proposta foi rebatida com veemência pelas mulheres. Mas estava posta a questão: que critério usar para decidir quem seria sacrificado primeiro para que os outros não morressem de fome?

- Primeiro os mais velhos – sugeriu um jovem.

Os mais velhos imediatamente se reuniram num protesto. Falta de respeito!

- É mesmo – disse um -, somos difíceis de mastigar.

- Por que não os mais jovens, sempre tão dispostos aos gestos nobres?

- Somos, teoricamente, os que têm mais tempo para viver – disse um jovem.

- E vocês precisarão da nossa força nos remos e dos nossos olhos para avistar a terra – disse outro.

- Então os mais gordos e apetitosos.

- Injustiça! – gritou um gordo. – Temos mais calorias acumuladas e, portanto, mais probabilidade de sobreviver de forma natural do que os outros.

- Os mais magros?

- Nem pensem nisso – disse um magro, em nome dos demais. – Somos poucos nutritivos.

- Os mais contemplativos e líricos?

- E quem entreterá vocês com histórias e versos enquanto o salvamento não chega? – perguntou um poeta.

- Os mais metafísicos?

- Não esqueçam que só nós temos um canal aberto para lá – disse um metafísico, apontando para o alto – e que pode se tornar vital, se nada der mais certo.

Era um dilema.

É preciso dizer que esta discussão se dava num canto do barco salva-vidas, ocupado pelo pequeno grupo de passageiros de primeira classe do transatlântico, sob olhares dos passageiros de segunda e terceira classes, que ocupavam todo o resto da embarcação e não diziam nada. Até que um deles perdeu a paciência e, já que a fome era grande, inquiriu:

- Cumé?

Recebeu olhares de censura da primeira classe. Mas como estavam todos, literalmente no mesmo barco, também recebeu uma explicação.

- Estamos indecisos sobre que critério utilizar.

- Pois eu tenho um critério – disse o passageiro de segunda.

- Qual é?

- Primeiro os indecisos.

Esta proposta causou um rebuliço na primeira classe acuada. Um dos seus teóricos levantou-se e pediu:

- Não vamos ideologizar a questão, pessoal!

Em seguida levantou-se um ajudante de maquinista e pediu calma. Queria falar.

- Náufragos e náufragas – começou. – Nesse barco só existe uma divisão real, e é a única que conta quando a situação chega a este ponto. Não é entre velhos e jovens, gordos e magros, poetas e atletas, crentes e ateus… É entre minoria e maioria.

E, apontando para a primeira classe, gritou:

- Vamos comer a minoria!

Novo rebuliço. Protestos. Revanchismo, não! Mas a maioria avançou sobre a minoria. A primeira não era primeira em tudo? Pois seria primeira no sacrifício.

Não podiam comer toda a primeira classe, indiscriminadamente, no entanto. Ainda precisava haver critérios. Foi quando se lembraram de chamar o Natalino. O chefe de cozinha do transatlântico.

E o Natalino pôs-se a examinar as provisões, apertando uma perna aqui, uma costela ali, com a empáfia de quem sabia que era o único indispensável a bordo.

O fim desta pequena história admonitória é que, com toda a agitação, o barco salva-vidas virou e todos, sem distinção de classes, forma devorados pelos tubarões. Que como se sabe, não têm nenhum critério.

                                                                           Luis Fernando Veríssimo

 

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Dualidade das vidas

April 11, 2007

Olá! Seja bem-vindo à mais nova miscelânea de assuntos que circulará na Internet – complexosimples.wordpress.com!

A escolha do título do blog foi uma “homenagem” à singular escolha dos caminhos de nossas vidas. Há quem diga que nossa vida é simples, cheia de alegrias, de amigos, de livros, de felicidade, de esperança, de família, de colégios, de lápis, de papéis, de literatura, de canções, de diálogos, de projetos, de desejos, de idéias, de artes, de cinemas, de risadas, de metáforas, de gestos, de festas, de paz! Há quem diga que nossa vida é complexa, cheia de percalço, de indecisão, de avareza, de soberba, de lúxuria, de ira, de preguiça, de gula, de inveja, de pecado, de dinheiro, de discórdias, de desemprego, de indignação, de poder, de ódio, de submissão, de falsidade, de guerra! Acho que dos caminhos traçados não fico ainda com nenhum, acho que deve haver um terceiro destino, aqueles são de pessoas que não tem perspectivas de que possa haver mudanças em suas vidas, de fato, em seu caminho. Acho que fico entre o simples e o complexo, porque noto que em muitas dos nossos teatros diários temos que fazer com que as pessoas chorem, se emocionem, vibrem, celebrem, gargalhem, entristeçam-se , alegrem-se, comemorem, odeiem, enraivem-se, se surpreendam, vivam, mas de uma forma que não possamos ser nós mesmos o tempo todo, se sobressaindo fielmente em cada cena. Temos muitas vezes que nos fantasiar, sermos seres duais, ao ponto de tentar entender por que o ser humano é tão complexo – ou será que é simples? Difícil. Tentar entender essa pergunta é o mistério da vida, que há um SER SUPREMO que poderá nos dá essa resposta. Mas só depois. Bem depois. Viver o agora é imprescindível. Lembrar o passado é memorável. Desvendar o futuro é incompreensível. Portanto, façamos das nossas escolhas as melhores possíveis, aquelas que nos acalentarão para toda a vida. E se ficar na dúvida, se sua vida ainda se tornar indecisa, faça com que o seu universo não seja um simples complexo, mas sim, um COMPLEXO SIMPLES!

 

 

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Hello world!

April 11, 2007

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